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Fernando Pessoa

Sep. 18th, 2009 | 09:47 pm

Fernando Pessoa para meninos e meninas 

A FADA DAS CRIANÇAS

Do seu longínquo reino cor-de-rosa,
Voando pela noite silenciosa,
A fada das crianças vem, luzindo.
Papoulas a coroam, e, cobrindo
Seu corpo todo, a tornam misteriosa.

À criança que dorme chega leve,
E, pondo-lhe na fronte a mão de neve,
Os seus cabelos de ouro acaricia –
E sonhos lindos, como ninguém teve,
A sentir a criança principia.

E todos os brinquedos se transformam
Em coisas vivas, e um cortejo formam:
Cavalos e soldados e bonecas,
Ursos e pretos, que vêm, vão e tornam,
E palhaços que tocam em rabecas…

E há figuras pequenas e engraçadas
Que brincam e dão saltos e passadas…
Mas vem o dia, e, leve e graciosa,
Pé ante pé, volta a melhor das fadas
Ao seu longínquo reino cor-de-rosa.


 
Devia ser bom ser sobrinha do tio Fernando. Hein, Manuela?


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.deletei meu facebook.

Sep. 16th, 2009 | 01:20 pm

 Deletei minha conta no Facebook hoje. 
Essa parte é verdadeira. 

Um testemunho


"Gente. Cansei da futilidade e do vício do Facebook. Deletei minha conta hoje. Percebi o quanto estava perdendo com aquela página chata e sem utilidade, mas que eu amava. Estava deixando de lado coisas muito importantes pra mim. Por exemplo, com o Facebook não estava mais tendo tempo pra ler. Tipo assim, minha revista preferida, a Caras. Ela chegava aqui em casa e eu deixava de lado, me prometendo que leria no dia seguinte, mas, nada. Aí chegava a outra revista e percebia que não tinha lido nada na anterior além da capa. E assim eu não soube que o ex-A Fazenda Theo Becker tinha feito show , perdi o Paulinho Vilhena curtindo a noite do Rio com amigas, e, pasmem, simplesmente esqueci que Sandy e Lucas fizeram um ano de casados ( e a revista com a boda deles foi tão linda! Nessa época ainda não tinha Facebook). Nem sei o que anda fazendo a Preta Gil. Fui acumulando uma pilha de revistas e me prometendo que no dia seguinte começaria a reler. E nada. Foi ficando difícil manter a pilha em pé quando começou a chegar junto com a revista a maravilhosa coleção utensílios do chef. Era um tal de garfo para petiscos em cima de boleador e concha pra molhos...uma zona. Aí eu comecei a juntar tudo numa caixa e me prometendo que organizaria a bagunça no fim de semana seguinte. Em vão! Eu só queria saber de Facebook, facebook, facebook. Só que hoje, quando a manicure soltou um comentário sobre a recuperação da Jackeline Petcovic e eu não sabia nem do acidente, eu fiquei passada. Chega. Esse negócio de Facebook é um vício nefasto!!! Tem macumba ali pra fisgar você. Mas eu acordei !!! Basta!!!  Vou deletar miha conta e voltar à vida normal. Bye!"

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A mosca

Aug. 5th, 2009 | 12:58 am

(texto escrito em 14-15/02/08, no meu diário de papel. Tive que adaptar porque na época eu achava que uma mosca vivia até 8 dias.)


"Entrou uma mosca aqui no quarto. Me incomoda muito o barulho que as moscas fazem. Espirrei inseticida nela, duas vezes. Ela ficou tonta, meio desorientada, mas voou. Tentei meio sem jeito acertá-la com um pano velho (detesto essa violência), e acabei acertando. Ela caiu e não se mexeu mais. Alívio -e alguma pena.

Agora escuto um zumbido e olho na direção onde ela caiu (não, eu não varri- já passa da meia-noite) . Ela estava se mexendo. Ela não estava morta! Tinha fingido. Ou mosca desmaia?

Não senti raiva agora. Senti certa simpatia.
Ela quer viver.
Se recusa a ter menos que as oito semanas que lhe são possíveis viver. O mínimo que quer é que se cumpra sua sina de mosca. 8 semanas. 56 dias. Não aceita ir antes do tempo. Não antes de produzir seus 400 a 1000 ovos. It won´t go gentle into that quiet night.

Vou dormir.
...

De manhã, quando levantei ela estava morta, perto da minha cama. Tinha atravessado o quarto, que era pequeno, mas que pra uma mosca moribunda era uma distância enorme.

Espero que esse tenha sido a oitava semana. Essa, entre todas, merecia uma oitava semana. "
 

(deixemos o nojo de lado ... se a GH de Clarice pode comer uma barata, eu posso sentir pena de uma mosca)

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Rage, rage against the dying of the light!

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4 do 8 de 2009

Aug. 5th, 2009 | 12:54 am

Adoro quando médicos , especialmente aqueles aos quais você está indo pela primieira vez, depois de te examinar , dizem: " qualquer coisa você entra em contato."  Até parece que é fácil marcar consulta. De que me adianta voltar lá em dois meses, quando o sintoma já tiver desaparecido?  "Há duas semanas meu olho não parava de coçar. O que eu podia ter pingado?"

Basicamente isso é como quando naqueles programas vespertinos de brincadeiras o apresentador diz pra um telespectador/participante: "ah, que pena, não foi dessa vez! Mas liga de novo e participa com a gente!" . Fácil e simples assim.  

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6:20 da manhã: Só tem telecurso, programa evangélico e Globo Rural na TV ? (lembrem que não tenho TV a cabo) Como eu desenvolvi uma necessidade de ter algum barulhinho enquanto estou sozinha no quarto, acho que vou ver Telecurso...Mas por que essa necessidade de ruídos? Foi depois que vi morar sozinha. Falta de alguém com quem conversar? Não preciso nem assistir, mas gosto daquele blablabla. Silêncio é monótono... (

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Bom, acabei vendo um pedacinho do Globo Rural. Foi educativo. Descobri que pesquisadores vem estudando há anos (com verba do governo, claro) a função do bico do tucano. "Ser bonito" não satisfazia. E não é que descobriram que o bico do tucano é uma espécie de radiador, controlando a temperatura do corpo do animal. O bico do tucano, inclusive,  tem fluxo sanguíneo em toda a sua extensão. Para fazerem essa descoberta revolucionária os pesquisadores prenderam um tucano numa geladeira (!) e usando uma câmera especial captaram a mudança de temperatura no bico do bicho, percebendo,  que a mudança de temperatura ali era acompanhada pelo resto do corpo. Impressionante. 

Viu como é bom acordar cedo, assistir Globo Rural? 

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Hoje fui ao Baratos da Ribeiro com uma amiga ( a única que vai ler essas notinhas aqui) . Descobri que tem um Clube de Leitura lá. Além de ler seus contos preferidos, os participantes também são encorajados a produzir textos. Poxa...e eu já estava pensando em ir... :) Será que precisam ser bons?

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No mais, continuo a procura de uma camerazinha de filme pra chamar de minha. De preferência nada fancy, lo-fi é a palavra de ordem pra essa aquisição.


Boa noite!

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Eu fotógrafa

Jul. 28th, 2009 | 06:45 pm

O pessoal do grupo de fotografia de que eu faço parte lançou uma pergunta no nosso fórum:

Quanto a fotografia mudou sua vida? Ser um fotógrafo, amador ou profissional, é um jeito de viver (“way of life”), um estilo de vida (“lifestyle”), ou alguma outra coisa?”

Minha resposta foi primeiro mais contida, depois , editada, mais longa. Vou deixar um trecho aqui.

"Eu não sei se diria que fotografia é meu "estilo de vida" não, nem meu modo de vida. Mas eu acho que o estilo e modo de vida de cada um aparecem na sua fotografia.

Deixa eu me explicar: fotografia não é nem dita o modo como eu vivo. Meu estilo de vida, eu diria, é agitado, inquieto, corrido, informal, despojado, inquisitivo (posso expressar assim?), meio, parafraseando Fernando Pessoa, desassossegado. Esse é meu estilo :)

A fotografia é meu hobby, e mais que isso, é minha paixão. Na verdade a arte, a poesia, são minhas paixões...paixões às quais eu quero me dedicar mais, quero que estejam mais presentes na minha vida. Dentro disso que eu chamo de poesia, está a fotografia. Eu gosto de ver fotografia, de conversar sobre fotografia, de fazer fotografia, de editar e reeditar fotografias, de estudar fotografia. Gosto de olhar pra uma foto demoradamente. Gosto de ir descobrindo, aos poucos, o que eu gosto mais e o que eu gosto menos. De ir aprendendo sobre o mundo com a fotografia. E é, de certa forma, terapêutica...

Eu criança era muito artistazinha...desenhava , compunha musiquinhas, fazia coreografias, escrevia livrinhos (era escritora, ilustradora e tb produzia a publicidade que aparecia na contracapa) e inventava de tudo um pouco. Brincava com lápis de cor como quem brinca com bonecas. De repente, não sei ainda quando foi, nem porque , isso tudo meio que foi embora, me perdi disso e acabei virando uma adolescente certinha e depois uma pessoa "ocupada". Até eu encontrar a fotografia, em 2006, eu tinha uma frustração, uma chateação grande porque queria ser "artista" mas não "sabia fazer nada". Artista sem arte... escrever não conseguia mais, desenhar descobri que nunca consegui...cantar...minha voz foi embora quando a adolescência chegou. O resto precisava de técnica que eu não tinha...

Por algum motivo foi a fotograia que eu escolhi e foi nela que me reencontrei com a pessoa criativa que eu tinha sido na infância. Ainda que em um nível bem menos intenso.


Meu estilo de vida , descrito acima, influi na minha fotografia de maneiras positivas e negativas. Negativas porque por ser corrido (fase da vida...vai passar) eu não tenho como dedicar à essa paixão o mesmo tempo que dedico às obrigações (compenso isso trabalhando com algo que adoro). Mas essa mi vida loca também influencia minha fotografia de outras formas: É uma fotografia que tende a ser pouco "técnica", mais dinâmica, de momento, ou então focada em cores e texturas marcantes (pra mim). É uma fotografia de busca, de curiosidade. Sou eu tentando me entender, e tentando descobrir o que eu gosto. Sou eu prestando atenção em cores que eu não sei o nome...eu vejo tudo enquadrado.

Mas ainda não sei quem sou- aliás, nunca vou saber porque não sou uma (Pessoa de novo: "Não tenho individualidade/ Sou como o mundo" ). Por isso minha fotografia tb não é "uma só".

Eu acho que posso dizer que minha fotografia reflete meu estilo de vida, reflete quem sou ( e tb constrói quem sou...) mas não sei se chamaria a fotografia de meu estilo de vida.

Ela faz parte da minha vida. Muito.

A poesia....esse eu quero que seja meu estilo de vida. Quero viver poeticamente. De novo. :)
"


As partes mais significativas da resposta foram talvez as menos relacionadas à pergunta :)

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pequenas saudades

Jul. 28th, 2009 | 02:02 am
mood: content content
music: Sampa , Caetano Veloso

Chego de São Paulo e chego à conclusão de que o que eu mais gostei não foi de nenhum ponto turístico. Foi de andar, dia e noite, pela cidade, sob a garoa, no frio de 11, 12 graus. Das ruas, das pessoas com quem cruzava, do metrô...

Tucuruvi-Jabaquara, Corinthians Itaquera- Palmeiras Barra Funda, Troca de trem na Sé, Rua e Largo do Arouche, Avenida São João.

Me apego a coisas pequenas...

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em um conto

Jul. 15th, 2009 | 01:03 am
mood: pensive pensive


Para pessoas curiosas uma descoberta leva a outra e é engraçado onde vamos parar. Quando chegamos sempre a um mesmo ponto é um sinal.

Eu estava buscando um curso interessante na Casa do Saber, pois minha mente já está com saudades de leituras e discussões estimulantes. Descobri que a Maria Bethânia vai dar uma palestra lá em agosto e fiquei com vontade de assistir, apesar de achar um pouco caro pagar 95 pratas para ouví-la falar quando pago 60 no máximo para ouví-la cantar no Canecão. Mas se der, eu vou sim- deve ser um outro tipo de show.  O tema é sua relação com as palavras. Já me interessa, eu ainda estou aprendendo sobre a minha. Aí resolvi pesquisar coisas da Bethânia na net e saí baixando músicas. Aí lembrei que ela gravou um CD inteiro em homenagem ao mar e à poesia de Sophia Melo Breyner Andersen e lembrei que eu já tinha lido umas coisas dela e gostado muito. Pus-me então a pesquisar sua poesia na internet. Li vários poemas e acabei chegando a um conto escrito por ela. Retrato de Mónica, se chama. Fui ler. Como tudo o que é bom na vida pode doer, esse doeu um pouco, deu uma pontada de medo....
Um trechinho que vou colar aqui pode dar uma ideia do porque.


"De facto, para conquistar todo o sucesso e todos os gloriosos bens que possui, Mónica teve que renunciar
a três coisas: à poesia, ao amor e à santidade.

A poesia é oferecida a cada pessoa só uma vez e o efeito da negação é irreversível. O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais. Mas a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias. ..."



Medo de minha "vez" ter passado e eu ter dito não.
Medo de eu a estar negando agora.
Mas algo me diz que a senhora Breyner pode estar errada e que a poesia seja generosa como a santidade, ou pelo menos, como o amor.









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Previsão de todos os dias.

Jul. 7th, 2009 | 11:45 am
mood: groggy groggy

SAGITÁRIO
Previsão do Dia

Você vê um objetivo, mas imediatamente vê outro,
e depois outro e mais outro, e por aí vai sua visão,
de objetivo em objetivo, pousando muito pouco tempo em cada alvo.
Talvez isso seja cansativo, talvez criativo.

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